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  • O tempo de sonhar chegou
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    No silêncio da vida, adormeci. O tempo passava, e eu esperava, esperava pelo momento certo para sonhar. Todos os dias eram uma luta contra o relógio, uma batalha invisível entre o querer e o poder. A mente cansada, o corpo lento, e a esperança… quase esquecida.A tristeza não deixava dormir. A insónia era uma sombra…

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  • Cicatrizes da vida
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    Acordava com o canto dos pássaros como se o dia oferecesse sempre uma promessa primeira. Vestia por dentro, uma coragem de leão que nem sempre chegava a todos os gestos. Havia uma contradição permanente entre o rumor calmo da manhã e o turbilhão que morava no peito; cada passo pela casa, cada chávena de café…

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  • Está tudo bem, vais conseguir
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    Não é uma promessa vazia, nem uma frase feita. É uma certeza que nasce daquilo que ainda não viste, mas que já vive dentro de ti.Os pensamentos que hoje te rodeiam, inquietos, confusos, por vezes pesados, são como pássaros em círculos, à espera do vento certo. E esse vento há de soprar. Num dia de…

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  • Manhã de mar e saudade
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    Estava a despontar o dia e o céu ainda guardava as cores tímidas da noite. A água do mar veio de mansinho e tocou-nos nos pés com um frio que despiu qualquer pressa. A areia, fina e dourada, colou-se às plantas dos pés enquanto corríamos, o corpo pesado de cansaço e leve de desejo, e…

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  • Conta-me ao ouvido, devagar
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    Conta-me ao ouvido a tua história como se acendesses um fósforo: devagar, com o cuidado de quem sabe o que arde. Sei que traz espinhos; sei que, por vezes, te deixa em pranto. Diz-me onde te magoaste, onde cais e onde aprendeste a levantar sem pressas, sem cortes.Conta-me os dias pequenos e as noites grandes,…

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  • Sonhei-te vezes sem fim
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    Sonhei-te. Uma vez. Duas vezes. E depois mais vezes, tantas que a memória já não sabe contar. No teu braço pousavam os meus livros de escola como se fossem pequenos navios; na minha sacola, o teu lanche cheirava a manteiga e silêncio partilhado. Os nossos risos rasgavam a rua como vento em papel, e as…

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  • Amor de um beijo roubado
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    Talvez eu não saiba bem porquê, mas o tempo decidiu aproximar-nos. Não foi amor à primeira vista, porém também não tardou a surgir: quando te vi, veio um beijo roubado, um impulso inevitável que me virou o mundo. Nesse instante, a dúvida esmoreceu e a certeza assentou.Perdido em frente à escola, tinha um plano só…

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  • Quando a natureza nos desperta
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    A natureza manifesta-se como uma presença vasta e silenciosa, que não se limita ao que os olhos alcançam. É uma força que não se vê, mas que se sente: como se o ar, o mar e o vento fossem extensões de algo maior, algo que nos observa e nos molda sem pressa.Nesse encontro, algo em…

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  • Sonhos no dia a dia
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    Surge um breve sopro e tudo se inclina para o devaneio. Vejo ossos que reconhecem o frio da terra; esse contacto lembra-me que os sonhos têm corpo apenas enquanto os sentimos, depois dissolvem-se. Digo o essencial: os sonhos são aquilo que são, até serem outra coisa.A princesa dorme; no silêncio do sono ela transforma-se. Cresce…

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  • Sonhar de olhos abertos
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    Hoje não acordei, fui acordado. Como se algo maior me puxasse do silêncio da noite e me deixasse à deriva num limiar entre o real e o que nunca foi. Acordar com vontade de sonhar é um paradoxo: o sonho não se visita com olhos abertos, mas com a alma entreaberta, vulnerável, disposta a dissolver-se…

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  • O mundo é teu
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    O mundo dá voltas. Umas lentas, quase impercetíveis, outras tão rápidas que te arrancam o chão debaixo dos pés. E quando cais, dói. Mas cair não é o fim, é a prova de que estás vivo, de que te atreveste a andar, de que não ficaste parado à espera que a vida passasse por ti.E…

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  • A vida passa num instante
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    O tempo não pede licença. Vai passando, silencioso, e no seu caminho arrasta uma brisa leve, mas carregada de memórias. É como aquele vento de fim de tarde que nos arrepia a pele e nos faz lembrar coisas que já não voltam.Dentro dele viaja o peso de um abraço que ficou por dar, de uma…

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  • A vida muda, mas continua
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    O tempo manifesta-se em camadas. Há um ritmo interno que não depende da velocidade, mas da continuidade. A raiz, invisível à superfície, estabelece uma relação com o solo: absorve, sustenta, transforma.Mesmo na ausência de luz direta, há movimento. A sombra não é ausência, mas parte do processo. Tudo se reorganiza: formas esboçam-se, possibilidades emergem.O vento…

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  • O tempo passa, mas não esquece
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    O tempo escorre por mim como um rio que nunca dorme. As horas são gotas que deslizam pela pele da memória: algumas frias e silenciosas, outras quentes e ruidosas, como se cantassem histórias que nunca chegaram a acontecer.Há dias em que esse rio parece um espelho partido: cada fragmento reflecte uma versão de mim que…

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  • Prisioneiro de mim mesmo
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    Sou prisioneiro de mim. As chaves, esquecidas de propósito na ranhura do outro lado da porta, repousam frias como ferro molhado. Quase sinto o cheiro do metal oxidado, o frio a subir-me pelos dedos só de imaginar tocá-las. Estão ali, tão perto, mas pesam como montanhas invisíveis.O meu coração, agrilhoado, esqueceu-se do voo. As asas…

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No silêncio da vida, adormeci. O tempo passava, e eu esperava, esperava pelo momento certo para sonhar. Todos os dias eram uma luta contra o relógio, uma batalha invisível entre o querer e o poder. A mente cansada, o corpo lento, e a esperança… quase esquecida.A tristeza não deixava dormir. A insónia era uma sombra…

Filipe de Luar
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