Tudo mudou no dia em que ele percebeu uma coisa simples, o lugar onde estava não era apenas um sítio, era um sinal.
Ele tinha passado meses a procurar “o momento certo”, “o sítio ideal”, “as condições perfeitas”. Sempre à espera. Sempre a adiar. Sempre a acreditar que a vida começava noutro lugar qualquer.
Até que um dia, sentado num banco de jardim, ouviu uma senhora dizer ao neto: “Se não aprendes a estar aqui, nunca vais saber estar em lado nenhum.”
Aquilo ficou. Ficou de um modo estranho, como se tivesse sido dito para ele. E pela primeira vez, olhou à volta com atenção. Nada era especial. Nada era extraordinário. Mas era o lugar onde estava. E isso bastava.
Começou a reparar nas pequenas coisas: O som dos carros. O cheiro do café. A forma como o sol batia no chão. A vida a acontecer sem esperar por ninguém.
O inesperado foi perceber que o problema não era o lugar. Era a forma como ele o vivia. Sempre com pressa. Sempre com ausência. Sempre com a cabeça noutro lado.
A partir desse dia, fez uma mudança prática. Onde estivesse, estaria mesmo. Sem fugir mentalmente. Sem viver no “depois”. Sem acreditar que a vida só começa quando tudo estiver perfeito.
E o mais curioso? Quando começou a estar presente, começou a avançar. As ideias surgiram. As decisões ficaram mais claras. A vida deixou de parecer um corredor infinito e passou a ser um caminho possível.
— Filipe de Luar

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