Anúncios
Anúncios

Guardei‑te em mim

Há coisas que a vida nos tira, mas há outras que ficam. Ficam mesmo quando já não fazem barulho, quando já não ocupam espaço, quando já não sabemos se ainda doem ou se apenas nos moldaram. E tu… tu foste dessas. Daquelas que não se dizem, mas que se sentem. Daquelas que não se explicam, mas que se guardam.
Vivemos num tempo estranho: tudo passa rápido, tudo muda depressa, tudo se esquece num scroll. Mas há memórias que não obedecem ao algoritmo. Há pessoas que ficam coladas à pele, mesmo quando já não fazem parte do nosso dia. E não é drama, não é saudade tóxica, não é nostalgia barata. É só… verdade. A verdade de que algumas presenças deixam raízes, mesmo quando já não há jardim.
Guardei‑te em mim não porque não consegui seguir em frente, mas porque seguir em frente também é isto: aceitar que há capítulos que não se rasgam, apenas se fecham. Guardei‑te em mim porque crescemos, porque mudámos, porque aprendemos e porque, no meio do caos do mundo, há pessoas que nos ensinaram a sentir, a cair, a levantar, a ser.
E sabes o mais bonito? Guardar não é prender. Guardar é honrar. Guardar é reconhecer que aquilo que vivemos fez de nós quem somos agora.
Por isso, sim: guardei‑te em mim. Não como peso. Como parte. Como marca. Como história. Como força.
E se um dia alguém te perguntar porquê, diz só: Porque há pessoas que não se perdem. Transformam‑se.

— Filipe de Luar

Deixe um comentário