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Nunca Parar

Há uma coisa que aprendi tarde demais:
Quando deixas de pensar, deixas de crescer.
Quando deixas de falar, deixas de existir.
Quando deixas de sonhar, deixas de viver.
Conheci alguém que me ensinou isto sem querer. Uma pessoa que, durante anos, foi encolhendo.
Primeiro deixou de pensar alto, tinha medo de parecer “demasiado”. Depois deixou de falar do que sentia, achava que ninguém queria ouvir. Mais tarde deixou de sonhar, porque a vida lhe tinha mostrado que nem sempre compensa. E, sem perceber, começou a deixar de viver.
O inesperado aconteceu num dia banal. Estávamos a conversar e ela disse. “Já não sei o que quero.” Não era drama. Era honestidade crua. Era o resultado de anos a desligar pequenas partes de si.
Nesse momento, fiz-lhe uma pergunta simples. “Quando foi a última vez que disseste em voz alta algo que realmente queres?” Ela ficou em silêncio. E o silêncio disse tudo.
A partir daí, começou pequeno. Um pensamento por dia. Uma frase dita sem medo. Um sonho escrito num papel. Uma ação que a aproximava de si.
E a vida respondeu. Não com milagres. Com movimento. Com clareza. Com aquela sensação de que, quando voltas a pensar, falar e sonhar… voltas a viver.
O valor prático desta história é direto. A vida não pára quando falhas. Pára quando deixas de te ouvir.

— Filipe de Luar

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