Há sonhos que não se escrevem no papel, escrevem‑se nos olhos. E foi isso que aprendi ao ver alguém que tinha deixado de sonhar… voltar a fazê‑lo.
Era uma pessoa que andava perdida. Não por falta de talento. Por falta de visão. A vida tinha-lhe apagado o brilho devagar, como quem baixa a luz sem ninguém notar. Rotinas pesadas. Dias iguais. Aquela sensação de estar a viver sem direção.
Até que um dia, numa conversa curta, ouviu algo inesperado. “Nos teus olhos ainda cabe um sonho.” Não era elogio. Era constatação. Alguém viu nela aquilo que ela já não via.
E foi aí que tudo começou. Não com grandes planos. Não com metas perfeitas. Começou com cinco segundos ao espelho todas as manhãs. Cinco. E uma pergunta simples. “O que quero ver em mim daqui a um ano?”
A resposta mudava. Mas o olhar mudava mais depressa. Porque quando treinas o olhar, treinas a visão. E quando a visão muda, o caminho muda com ela.
O inesperado? As ideias deixaram de morrer no silêncio. As oportunidades começaram a aparecer. E ela começou a caminhar como alguém que já sabe para onde vai, mesmo que ainda não tenha chegado lá.
O valor prático desta história é simples. O sonho não nasce de coragem. Nasce de visão. E a visão nasce da forma como te olhas, não da forma como o mundo te olha.
— Filipe de Luar

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