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Dia Longo

A meio da tarde, percebi que estava a falar sozinho. Não em voz alta, mas naquele murmúrio interno que aparece quando o dia pesa mais do que devia. E foi aí que me apanhei a pensar: “Minha amada, é longo o dia.”
Não era uma frase bonita. Era um desabafo. Daqueles que não pedem poesia, pedem verdade.
Porque há dias que parecem esticar-se como elástico velho. Dias em que tudo demora. Dias em que o corpo avança, mas a cabeça fica para trás. Dias em que o mundo exige mais do que tu tens para dar.
E nesse dia, eu estava exatamente aí. A tentar cumprir, a tentar responder, a tentar ser tudo para todos, enquanto me esquecia de ser algo para mim.
Foi então que aconteceu uma coisa pequena, mas inesperada. Uma mensagem curta. Nada de extraordinário. Só um “estou aqui”. E aquilo mudou o ritmo do meu dia.
Não porque resolveu os problemas. Não porque trouxe soluções. Mas porque me lembrou que, mesmo quando o dia é longo, eu não preciso atravessá-lo sozinho.
Às vezes, o que nos salva não é um grande gesto. É uma presença. É alguém que não tenta encurtar o dia, apenas o acompanha.
E foi aí que percebi o valor prático disto tudo. O dia pode ser longo, mas não precisa ser pesado. E quase sempre, o que o torna mais leve é simples: partilhar o caminho, nem que seja por cinco minutos.

— Filipe de Luar

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