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Quando a saudade fala mais alto

Há dias em que o mundo parece correr depressa demais. Dias em que fingimos que está tudo bem, mas por dentro carregamos um peso que ninguém vê. E é aí que aparecem as lágrimas de saudade, não só de pessoas, mas de versões nossas que já não voltam, de momentos que ficaram presos no tempo, de sonhos que deixámos cair porque a vida apertou.
A verdade é que crescemos todos à pressa. Fomos empurrados para um mundo que exige respostas rápidas, produtividade constante, sorrisos perfeitos para fotos que duram três segundos. Mas ninguém nos ensinou a lidar com o silêncio que fica quando a festa acaba, quando o telemóvel pára de vibrar, quando percebemos que a vida real não tem filtros e mesmo assim seguimos. Com medo, mas seguimos. Com dúvidas, mas seguimos. Com saudade, mas seguimos.
Porque a saudade não é só dor, é prova de que vivemos algo que valeu a pena. É memória que aquece, mesmo quando arde. É o lembrete de que sentir é o que nos mantém humanos num mundo que tenta transformar-nos em máquinas.
Aos jovens e aos que ainda se sentem jovens por dentro, fica o aviso sincero: Não tenhas vergonha das tuas lágrimas. Elas não mostram fraqueza, mostram verdade. Mostram que tens história, que tens coração, que tens caminho e quando a saudade apertar, respira fundo. Lembra-te: não estás sozinho. Todos carregamos batalhas invisíveis, todos guardamos nomes que ainda doem, todos temos um passado que às vezes bate à porta só para ver se ainda estamos vivos.
A vida é isto, um caos bonito, uma dança entre perder e encontrar, um ciclo de despedidas e recomeços e as lágrimas de saudade? Essas são só a prova de que ainda acreditamos no amor, na amizade, na vida, em nós.

— Filipe de Luar


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