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Ser criança é um superpoder, usa‑o hoje

Há dias que parecem só mais um quadradinho no calendário… e depois há o Dia da Criança. E não, não é só sobre miúdos a correr no recreio ou balões coloridos a voar. É sobre nós. Todos nós. Porque, no fundo, ainda carregamos aquela versão pequena de nós mesmos que acreditava que tudo era possível.
A verdade é que crescemos depressa demais. Trocaram-nos os sonhos por prazos, as gargalhadas por notificações, a imaginação por “sê realista”. E, sem darmos conta, deixámos a criança que fomos a bater à porta, a pedir para entrar outra vez.
Mas olha à tua volta. O mundo está meio caótico, meio bonito, meio confuso, igualzinho a nós. E talvez seja exatamente por isso que precisamos de recuperar aquilo que perdemos pelo caminho: a coragem de tentar, a curiosidade de perguntar, a leveza de acreditar, a inocência de não complicar tudo.
Ser criança não é ser pequeno. É ser gigante por dentro. É ter a ousadia de imaginar um futuro que ainda não existe e a teimosia de o construir, mesmo quando o mundo diz “não dá”.
Hoje, neste Dia da Criança, lembra-te disto: Tu não és só a pessoa que te tornaste. És também a pessoa que sonhaste ser. E essa versão, a tua versão mais pura, ainda está aí, à espera que lhe dês espaço para respirar.
Então faz o favor a ti mesmo: Ri mais. Pergunta mais. Abraça mais. Diz “não sei” sem vergonha. Diz “quero tentar” sem medo. E lembra-te que crescer não significa deixar de brincar, significa aprender a brincar com a vida, mesmo quando ela parece difícil.
Se há magia no mundo, ela começa sempre naquilo que sentimos quando nos permitimos ser, outra vez, um bocadinho crianças.

— Filipe de Luar

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