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O horizonte que não se vê

A realidade actual é um caos bonito. Um turbilhão de estímulos, expectativas, pressões e sonhos que se atropelam todos os dias. E no meio disto tudo, há uma coisa que quase ninguém te diz: o mundo lá fora só faz sentido quando o mundo cá dentro está acordado.
Vivemos numa era em que tudo é rápido, tudo é urgente, tudo é “agora”. Tens de decidir cedo, crescer depressa, mostrar resultados, provar valor. Mas a verdade é que ninguém te pode ensinar a viver dentro de ti. Isso é trabalho teu e é aí que começa o teu horizonte interno.
Acordas, pegas no telemóvel, levas com vidas perfeitas, corpos perfeitos, carreiras perfeitas. E é fácil cair na armadilha de achar que estás atrasado, que falta qualquer coisa, que não és suficiente. Mas olha bem: a comparação é só ruído. O que importa é aquilo que te move, aquilo que te inquieta, aquilo que te acende por dentro.
A realidade actual é dura, sim. Mas também é maleável. É um espaço onde podes experimentar, falhar, recomeçar, reinventar-te. Não tens de ter tudo definido aos 18, aos 25, aos 40. A vida não é uma linha recta, é um conjunto de capítulos, e tu és o autor. Podes mudar o enredo quando quiseres.
E sabes o que é mais fixe? A tua força não está no que mostras, está no que cultivas em silêncio. Na forma como te tratas quando ninguém vê. Na coragem de admitir que estás perdido e, mesmo assim, continuar a caminhar. No cuidado que tens com o teu tempo, com a tua energia, com as tuas pessoas.
O teu horizonte interno é o teu ponto de partida. É onde guardas as tuas perguntas, as tuas dores, as tuas vitórias, as tuas ideias malucas que ainda não tiveste coragem de contar a ninguém. É onde decides quem queres ser, antes de o mundo te dizer quem “devias” ser.
E a verdade é esta: crescer hoje é aprender a ouvir-te no meio do barulho. É saber parar quando todos correm. É escolher profundidade quando tudo é superficial. É ter a ousadia de ser honesto contigo, mesmo quando isso te obriga a mudar de caminho.
Não tens de ser perfeito. Tens de ser presente. Tens de ser curioso. Tens de ser teu.
Porque quando o teu horizonte interno está alinhado, o mundo deixa de te empurrar, começa a abrir espaço.

— Filipe de Luar

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