Hoje acordei cansado de lutar. Não daquele cansaço físico que se resolve com um café forte e um duche rápido. Acordei cansado por dentro. Daquela fadiga que não se vê, mas pesa. Daquela que te faz olhar para o tecto e pensar: “Outra vez?” E sabes que mais? Está tudo bem.
Vivemos num mundo que nos pede para sermos máquinas: sempre fortes, sempre prontos, sempre impecáveis. Mas nós não somos máquinas. Somos miúdos, jovens, adultos, velhos… somos humanos. E às vezes acordamos cansados de lutar contra expectativas, contra comparações, contra a pressão de ter tudo resolvido aos 20, aos 30, aos 50.
Hoje acordei cansado de lutar contra a ideia de que tenho de ser perfeito. Cansado de fingir que está tudo bem quando não está. Cansado de carregar o mundo às costas como se fosse obrigação minha salvá-lo.
Mas no meio deste cansaço todo, percebi uma coisa: O simples facto de eu ainda estar aqui, mesmo cansado, já é uma forma de luta e é uma luta bonita.
Porque crescer dói. Mudar assusta e continuar, mesmo quando o corpo pede pausa, é coragem pura.
Então hoje, em vez de me culpar por estar cansado, dei-me um abraço mental. Respirei fundo e disse a mim próprio: “Não tens de ser invencível. Só tens de ser verdadeiro.”
A verdade é que todos nós, em algum momento, acordamos assim: meio partidos, meio perdidos, meio fartos. Mas é nesses dias que mais precisamos de nos lembrar que o caminho não se faz só de força, faz-se também de descanso, de silêncio, de aceitar que somos obra em construção.
Se hoje também acordaste cansado de lutar, não te sintas fraco. Sente-te humano e lembra-te: ninguém vence todos os dias. Mas quem continua, mesmo devagar, mesmo a tropeçar, esse sim… esse está a ganhar.
— Filipe de Luar

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