Há palavras que não envelhecem. E não é porque são bonitas, é porque são necessárias.
Num mundo que muda mais depressa do que conseguimos respirar, onde tudo é “para ontem”, onde a vida parece um feed infinito que nunca dá pause, há coisas que continuam a bater forte, mesmo quando tudo o resto perde cor.
Tipo: coragem, respeito, verdade, gratidão, amizade, paz. Palavras que não passam de moda, não ficam desatualizadas, não precisam de update. São as mesmas desde sempre e continuam a ser as que mais fazem falta agora.
A realidade actual? É um caos bonito. É duro, mas é vivo. É confuso, mas é real. É aquela fase da vida em que todos fingem saber o que estão a fazer, mas ninguém sabe nada ao certo. E está tudo bem, porque ninguém veio ao mundo com manual de instruções.
A verdade é que estamos todos a tentar. A tentar ser melhores. A tentar não falhar. A tentar não desiludir. A tentar encontrar o nosso lugar num planeta que parece sempre cheio, mas onde às vezes nos sentimos tão vazios.
E no meio disto tudo, há palavras que continuam a salvar dias. Um “estou aqui”. Um “vai correr bem”. Um “não desistas agora”. Um “tens valor”. Um “descansa”. Um “eu percebo-te”.
Palavras que não envelhecem porque são feitas de humanidade e isso nunca sai de moda.
Se há algo que esta geração (e todas as outras) precisa, é de voltar ao básico: Falar com o coração. Ouvir com intenção. Sentir sem medo. Viver com presença. E lembrar que, mesmo quando o mundo parece demasiado rápido, nós podemos escolher abrandar.
No fim do dia, o que fica não são as tendências, os likes ou os filtros. O que fica são as palavras que dissemos e as que guardámos. As que curaram. As que levantaram. As que fizeram alguém acreditar outra vez.
Porque há palavras que não envelhecem e nós também não, quando as usamos bem.
— Filipe de Luar

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