Há dias em que o mundo parece cheio de gente e, mesmo assim, falta qualquer coisa cá dentro. Não é ausência de pessoas, é ausência de encaixe. É aquela sensação estranha de estar presente, mas não estar bem.
Vivemos num tempo rápido, cheio de notificações, opiniões e expectativas. Tudo acontece depressa demais para conseguirmos acompanhar o que sentimos. Por fora, mostramos versões polidas; por dentro, há um trabalho lento, quase secreto, a tentar fazer sentido do que somos.
Às vezes o silêncio pesa mais do que devia. Outras vezes é o barulho que nos afoga. E ficamos ali, no meio, a tentar perceber onde encaixamos, o que queremos, quem somos quando ninguém está a ver.
Crescer não é glamoroso. É confuso, é torto, é cheio de pausas que ninguém aplaude. É mudar de ideia, perder certezas, ganhar cicatrizes, descobrir forças que não sabíamos ter. É aceitar que não existe uma versão final, só versões em construção.
E está tudo certo. Não tens de ser perfeito, nem constante, nem forte todos os dias. Tens é de ser honesto contigo: com o que dói, com o que falta, com o que te faz respirar fundo.
A verdade é que todos carregamos algo que não mostramos. Todos temos dias em que nos sentimos deslocados. Todos procuramos um lugar onde possamos pousar o coração sem medo.
E talvez seja isso que nos aproxima: a vontade silenciosa de sermos vistos como realmente somos, a coragem de continuar mesmo quando não sabemos como, a esperança de que, algures, alguém nos entenda sem explicações.
No fim, não é sobre estar rodeado de gente, é sobre estar em paz contigo. E isso começa devagar, num gesto pequeno, num pensamento honesto, num momento só teu.

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