Há dias em que acordamos com a sensação de que o mundo à nossa volta está desalinhado. Não é drama, não é poesia, é aquele desconforto silencioso que aparece quando percebemos que estamos a viver em piloto automático. As mesmas rotinas, as mesmas conversas, as mesmas desculpas. E, no fundo, aquela pergunta que tentamos ignorar: é isto que eu quero?
A verdade é que mudar o mundo à nossa volta não começa com grandes revoluções. Começa com um gesto pequeno, quase invisível. Uma decisão que ninguém vê, mas que muda tudo. Como aquela vez em que finalmente disseste “não” ao que te drenava. Ou quando escolheste estar presente numa conversa em vez de fingir que ouvias. Ou quando decidiste tratar-te com a mesma paciência que ofereces aos outros.
O mundo muda quando tu mudas a forma como ocupas o teu espaço. Quando deixas de pedir licença para existir. Quando percebes que não tens de esperar pela coragem perfeita, basta agir com a coragem possível.
E há um momento inesperado nesta transformação: o instante em que percebes que não precisas de mudar o mundo inteiro. Só precisas de mudar o teu metro quadrado. Porque quando o teu metro quadrado muda, tudo o resto começa a ajustar-se.
— Filipe de Luar

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