Começou com uma frase que ouvi num café e que me ficou presa na cabeça: “A memória não falha. Seleciona.”
Fiquei a olhar para a mesa, como se alguém tivesse acabado de me dar uma chave para abrir uma porta que eu nem sabia que existia.
Lembrei‑me de todas as vezes em que disse “sou péssimo a lembrar‑me de nomes”, “não me recordo do que fiz ontem”, “a minha cabeça já não é o que era”. E percebi que nada disto era verdade. A memória não desaparece. A memória prioriza.
Recorda o que repetimos.
Guarda o que sentimos.
Apaga o que ignoramos.
E, de repente, fez sentido: não é que eu tenha má memóra, eu é que não treino a minha atenção. Eu é que deixo a cabeça em piloto automático. Eu é que passo o dia a consumir informação que não me serve e depois espero lembrar‑me do que realmente importa.
Nesse dia, fiz uma experiência simples: Em vez de tentar “memorizar mais”, decidi memorizar melhor. Escolhi três coisas importantes. Escrevi. Repeti. Voltei a elas ao final do dia.
Resultado?
Lembrei‑me de tudo, sem esforço, sem truques, sem apps milagrosas.
Foi aí que percebi a parte mais humana da memória:
Ela responde ao que tratamos como prioridade, não ao que dizemos que é prioridade.
— Filipe de Luar

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