Há um tipo de fogo que não destrói, expõe. Um fogo que não vem para te queimar, mas para te mostrar aquilo que andaste a esconder até de ti. E, na realidade actual, onde tudo é filtro, disfarce e velocidade, esse fogo é raro… e necessário.
O fogo que revela não faz barulho. Chega devagar, como uma verdade que já sabias mas evitaste ouvir. Mostra-te o que ficou por resolver, o que te pesa, o que te prende, o que já não faz sentido. É aquele momento em que percebes que não dá para continuar igual e isso assusta, mas liberta.
Para quem é jovem e para quem ainda sente o coração a aprender, este fogo é quase um espelho. Mostra-te o que és quando ninguém está a ver. Mostra-te o que queres quando deixas de querer agradar. Mostra-te que crescer não é acumular, é largar. Largar versões antigas, expectativas alheias, medos que já não te servem.
O fogo que revela é honesto. Não te protege da verdade, mas também não te abandona nela. Ilumina o que dói, mas também ilumina o caminho. E lembra-te que, às vezes, para renascer, tens mesmo de deixar arder o que já não és.
É um fogo interno, silencioso, quase abstracto, mas real. Um fogo que te pede coragem, não perfeição. Que te pede presença, não pressa. Que te pede verdade, não performance.
No fim, o fogo que revela não vem para te destruir. Vem para te devolver. Vem para te lembrar que há partes tuas que só brilham depois da limpeza. E que, quando tudo parece a arder, talvez seja só a tua vida a pedir espaço para começar outra vez.

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