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A magia dos fins de tarde

Há qualquer coisa nos fins de tarde que nos apanha sempre desprevenidos. É aquela hora estranha em que o dia ainda não acabou, mas já não é dia. E a noite ainda não começou, mas já se sente a chegar devagar. É um intervalo e nós vivemos tão rápido que até esquecemos como é bom existir nos intervalos.
Fim de tarde é pausa. É quando o sol decide abrandar e, sem dizer nada, lembra-nos que nós também podemos. É quando o céu muda de cor como quem muda de humor, e nós olhamos para cima como se fosse a primeira vez. É quando o mundo fica mais bonito sem fazer esforço.
Num tempo em que tudo é urgente, o fim de tarde é o único momento que não exige nada. Não pede produtividade, não pede respostas, não pede performance. Só pede presença. Só pede que estejas ali, mesmo que não saibas bem quem és naquele dia.
Fim de tarde é aquele momento em que a vida parece mais simples. Onde um café sabe melhor, uma música encaixa melhor, um pensamento faz mais sentido. Onde até a saudade dói menos e a esperança pesa mais.
É a hora em que percebemos que não precisamos de controlar tudo. Que há coisas que se resolvem sozinhas. Que há dias que terminam melhor do que começaram. Que há luz mesmo quando achamos que já não há.
E talvez seja por isso que os fins de tarde tocam tanto: porque são honestos, calmos, reais. Porque nos lembram que a vida não é só correr, também é pousar. Também é sentir. Também é respirar.
No fim, um fim de tarde é isto: um abraço do dia a dizer “calma, ainda estás a tempo”. E nós estamos mesmo.

— Filipe de Luar

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