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1 de maio sem filtros

Hoje é 1 de maio, Dia do Trabalhador, e a verdade é esta: trabalhar hoje não é como nos contaram. Não é aquela história romântica de “quem se esforça chega lá”. A realidade é mais crua. Salários que mal pagam as contas, contratos que duram menos do que um pack de iogurtes, entrevistas que pedem “flexibilidade” mas querem dizer “vais fazer o trabalho de três pessoas”. E depois há o clássico: “somos uma família”. Só que, quando chega a hora de pagar contas, ninguém dessa “família” aparece.
Para muitos jovens, o trabalho é uma corda esticada. Tens de equilibrar estudos, turnos, transportes, ansiedade e ainda sorrir como se estivesse tudo na boa. E tudo isto enquanto tentas não perder a cabeça, porque dizem que “tens de ser grato por ter trabalho”.
Mas ser realista não é desistir. É olhar para o que está à frente sem filtros. É saber que tens direitos, mesmo quando tentam convencer-te do contrário. É aprender a dizer “não”, a pedir recibos, a exigir contrato, a não aceitar que te tratem como descartável. É perceber que não és fraco por estar cansado, és humano. E que o problema não és tu: é um sistema que vive do teu silêncio.
E, ainda assim, há força. Há colegas que se apoiam, há grupos que se organizam, há gente que partilha informação para que ninguém seja enganado. Há quem lute por horários justos, por salários decentes, por respeito básico. E isso é trabalho também, trabalho invisível, mas essencial.
Hoje, no Dia do Trabalhador, o mais realista que te posso dizer é isto: o teu tempo vale mais do que aquilo que te querem pagar. E quando começas a acreditar nisso, já estás a mudar alguma coisa.

— Filipe de Luar

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