Fala‑me de amor, mas não daquele amor perfeito que vemos nos filmes ou nos feeds. Fala‑me do amor real, o que existe neste mundo rápido, barulhento e meio perdido onde vivemos.
Hoje em dia toda a gente fala alto, mas quase ninguém fala fundo. Dizemos “tá tudo bem” como quem mete um filtro por cima da alma. E seguimos. Seguimos porque é isso que se faz: continuar, mesmo quando não sabemos bem para onde.
Mas o amor… o amor é outra coisa. O amor é aquilo que nos puxa de volta quando já estamos quase a desistir de sentir. É o que nos lembra que ainda somos humanos, mesmo quando o mundo nos quer transformar em máquinas que respondem rápido, produzem sempre e nunca falham.
Fala‑me de amor sem medo. Do amor que não precisa de legendas perfeitas. Do amor que não se mede em mensagens vistas ou em tempos de resposta. Do amor que não se perde só porque o dia correu mal.
Fala‑me do amor que existe nas pequenas coisas: no “chega bem”, no “estou aqui”, no “descansa”, no “não tens de ser forte hoje”.
Fala‑me do amor que não exige performance. Do amor que aceita versões inacabadas, pensamentos confusos, dias tortos. Do amor que não foge quando o espelho embacia e já não sabemos quem somos.
Porque a verdade é esta: no meio de tanta pressa, tanta comparação, tanta expectativa… o amor continua a ser o único lugar onde conseguimos respirar sem fingir.
E talvez seja isso que mais falta nos faz: um amor que não nos peça para sermos mais, mas que nos permita ser, simplesmente.
Fala‑me de amor. Do amor que cura sem fazer barulho. Do amor que não se exibe, mas que se sente. Do amor que não é perfeito, mas é verdadeiro. Do amor que, mesmo no caos, ainda acredita em nós.

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