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Puxa-te

Há dias em que parece que a vida nos está a empurrar contra a parede. Os problemas aparecem. Os planos falham. As respostas não chegam. Tudo pesa mais do que devia e é fácil acreditar que estamos onde estamos por causa do que nos aconteceu, mas na maior parte das vezes, a vida não te empurra, tu é que te deixas ficar, tu é que decides se dás mais um passo ou se paras. Pode parecer duro ouvir isto, mas também é libertador. Porque se tudo dependesse apenas da sorte, das circunstâncias ou dos outros, então estavas sempre à espera que alguma coisa mudasse por ti e essa espera pode durar uma vida inteira.
Há pessoas que passam anos a aguardar pelo momento certo. Pela motivação certa. Pela oportunidade certa. Pelo apoio certo, mas a verdade é que raramente existe um momento perfeito. A maior parte das mudanças começa de forma pouco romântica. Sem inspiração. Sem vontade. Sem garantias.
Começa quando uma pessoa cansada decide levantar-se na mesma. Começa quando alguém cheio de dúvidas avança na mesma. Começa quando o medo continua presente, mas deixa de mandar. Muitas vezes pensamos que precisamos de força para agir. Quando, na realidade, é a ação que cria a força.
Primeiro dás o passo. Depois ganhas confiança. Primeiro enfrentas. Depois descobres que eras mais capaz do que pensavas.
A vida muda menos quando esperas e mais quando participas. Nem sempre vais controlar o que acontece. Nem sempre vais conseguir escolher as cartas que te calham, mas podes escolher o que fazes com elas.
Podes decidir voltar a tentar. Podes decidir aprender. Podes decidir continuar e essas pequenas decisões, repetidas ao longo dos dias, acabam por construir destinos completamente diferentes.
Há uma ideia que engana muita gente: acreditar que as pessoas fortes nunca caem. Caem. Falham. Perdem. Desanimam. A diferença é que não entregam a direção da sua vida ao momento que estão a viver.
Percebem que um dia mau não define uma vida inteira. Percebem que um erro não apaga o seu valor. Percebem que um atraso não significa um fim e seguem. Mesmo devagar. Mesmo sem certezas. Mesmo com receio. Porque entenderam uma coisa simples: ninguém os vai puxar todos os dias. Nem sempre haverá aplausos. Nem sempre haverá ajuda. Nem sempre haverá alguém para lembrar o teu valor quando tu próprio te esqueceres dele.
Por isso, em alguns momentos, tens de ser tu a fazer esse trabalho. Tens de ser tu a pegar em ti. Tens de ser tu a lembrar-te daquilo que és capaz. Tens de ser tu a dar o primeiro passo, mesmo quando não tens vontade de o dar. Porque a vida não te empurra para a frente. No fim das contas, és tu que te puxas e essa talvez seja uma das verdades mais difíceis de aceitar, mas também uma das mais poderosas.

— Filipe de Luar

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