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Arriscar ou Repetir

Há uma coisa que ninguém diz alto, mas toda a gente sente por dentro: quando não se arrisca, a vida começa a repetir-se. Os dias ficam iguais, as conversas iguais, até os sonhos ficam presos no mesmo sítio. Não é drama, é só o que acontece quando se vive sempre no modo seguro e o mais curioso é que a falta de risco também cansa. Cansa mais do que falhar. Porque falhar mexe connosco, acorda-nos, obriga-nos a olhar para a vida com outros olhos. A rotina, essa, adormece tudo. Adormece até partes de nós que nem sabíamos que estavam vivas.
Arriscar não é saltar de um penhasco. É dar um passo meio tremido, mas verdadeiro. É dizer “não sei bem o que vai acontecer” e avançar na mesma. É trocar o conforto pelo movimento. E o movimento, quase sempre, traz qualquer coisa nova — uma pessoa, uma ideia, uma força que não se conhecia.
A verdade é simples: quem não arrisca, repete a vida. E repetir a vida é uma forma lenta de desistir dela.
No fim, fica isto: pequenos riscos mudam destinos. Grandes medos só mudam planos.

— Filipe de Luar

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