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A Vida Não Espera

A vida não espera. E o medo sabe disso, por isso aparece sempre nos momentos em que mais precisas de avançar.
O medo não chega com alarme. Chega devagar. Num pensamento rápido. Numa pequena dúvida. Numa sensação que te aperta o peito sem te derrubar. E está tudo bem sentir isso. É humano. É legítimo. Faz parte do processo.
O problema não é sentir medo. É ficar a viver dentro dele. É transformar uma sensação numa morada. É deixar que a dúvida se torne rotina. Porque enquanto o medo te prende, a vida continua a andar lá fora, sem pausa, sem aviso, sem esperar que te organizes.
A vida move‑se depressa. As oportunidades não ficam à porta. Os momentos não voltam. O tempo não faz desconto para quem hesita. E há uma verdade que custa, mas liberta: o medo não desaparece antes da acção. Desaparece depois dela. É no passo que o medo perde força. É no movimento que a vida abre espaço. É na tentativa que o caminho se revela.
A vida não espera por quem tem medo, mas transforma quem decide avançar apesar dele.

— Filipe de Luar

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