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Muda Tudo

A vida muda no exacto segundo em que tu decides mudar. Não é bonito. Não é épico. É cru. E começa sempre com uma verdade que custa engolir: ninguém vem salvar-te.
Lembro‑me do dia em que percebi isto. Estava parado no mesmo sítio onde sempre reclamava da minha vida, mesmo banco, mesma rua, mesmas desculpas. E, de repente, caiu‑me a ficha: Eu não estava preso à vida. Estava preso a mim. À minha rotina. À minha preguiça. À minha mania de adiar tudo para “quando der”. Àquela ilusão confortável de que o mundo ia mudar primeiro para eu mudar depois. Mas não muda. Nunca muda. A vida só mexe quando tu mexes. E mexe depressa.
O mais estranho é que a mudança não começa com grandes decisões. Começa com gestos pequenos: O “hoje faço”, em vez do “amanhã vejo”. O “chega”, em vez do “talvez”. O “vou tentar”, em vez do “não sou capaz”.
E quando dás esse primeiro passo, mesmo que seja torto, mesmo que seja tímido, algo muda no ar. As oportunidades começam a aparecer. As pessoas certas aproximam‑se. Os caminhos que pareciam fechados começam a abrir brechas. Não porque o universo conspira. Mas porque tu finalmente deixaste de conspirar contra ti.
A vida muda quando tu mudas. E muda porque, pela primeira vez, deixas de ser espectador e assumes o papel de autor.

— Filipe de Luar

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