Ninguém te avisa, mas a coragem raramente chega com fanfarra. Às vezes aparece num gesto tão pequeno que quase passa despercebido, até te mudar por dentro.
Lembro-me de um dia em que fiquei parado à porta de uma conversa difícil. Nada épico. Nada cinematográfico. Só eu, a respirar fundo, a tentar decidir se avançava ou se voltava para trás como sempre. E foi aí que percebi: a coragem não é o momento em que falas. É o segundo antes, quando decides não fugir.
Entrei. A voz tremia. O coração batia rápido. Mas disse o que precisava de ser dito. Não para ganhar. Não para convencer. Só para deixar de carregar aquilo sozinho.
E nesse instante, descobri algo que ninguém me tinha explicado. A coragem revela. Revela o que te dói. Revela o que te importa. Revela quem és quando deixas de ser a versão que agrada e passas a ser a versão que enfrenta.
A coragem não é sobre força. É sobre verdade. É sobre assumir que tens medo e avançar mesmo assim. É sobre não te esconderes atrás de desculpas que já não te servem. É sobre escolher o desconforto que te liberta em vez do conforto que te aprisiona.
O mais humano da coragem é isto. Ela não te transforma num herói. Transforma-te em alguém honesto.
E quando és honesto contigo, o mundo deixa de ser tão assustador.
— Filipe de Luar

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