Há momentos que te viram do avesso, não porque são dramáticos, mas porque te mostram, sem piedade, que a vida está a acontecer enquanto tu estás ocupado a adiá-la.
Conheci um homem que vivia sempre a correr. Trabalho, reuniões, prazos, metas. Tudo urgente. Tudo para ontem. Um dia, a filha pediu-lhe para ir ver o treino de futebol. Ele respondeu: “Hoje não consigo, mas no próximo vou.”
O próximo nunca chegou.
Semanas depois, a filha entrou no escritório com um desenho: ela no campo… e ele ausente.
Ele contou-me que aquilo doeu mais do que qualquer fracasso profissional. “Percebi que estava a ser excelente no trabalho e ausente na vida”, disse-me.
Foi aí que começou a aproveitar cada momento, não com grandes mudanças, mas com pequenas decisões: sair do trabalho à hora certa, guardar o telemóvel durante o jantar, dizer “sim” a convites simples, marcar tempo para estar, não para produzir.
E o mais curioso?
A vida dele não ficou mais fácil. Ficou mais verdadeira.
A utilidade prática disto é clara.
Aproveitar cada momento não é viver depressa, é viver consciente. É perceber que o que parece pequeno hoje é o que constrói as memórias de amanhã.
Quando escolhes estar presente, ganhas duas coisas. Clareza, para ver o que importa. Profundidade, para sentir o que antes ignoravas.
No fim, descobres que a vida não se mede em anos, mede-se nos instantes que realmente viveste.
— Filipe de Luar

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