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Tudo

O choque veio numa frase simples. “Não aceites nada menos que tudo.” E eu fiquei ali parado, a tentar perceber se aquilo era inspiração… ou um aviso.
Porque a verdade é esta. Um dia acordas e percebes que tens vivido a meio gás. A meio amor. A meio coragem. A meio de ti.
E nem foi por falta de vontade. Foi por hábito. Por medo. Por aquela ideia silenciosa de que “meio já é suficiente para não perder nada”.
Lembro-me de uma amiga que vivia assim. Sempre a dar tudo, sempre a receber metade. Metade de atenção. Metade de respeito. Metade de presença. Metade de amor.
Até que um dia, numa conversa banal, ela disse algo inesperado. “Estou cansada de me contentar com migalhas só porque tenho medo de ficar sem pão.”
E aquilo bateu forte. Porque é real. Porque é humano. Porque é a história de muita gente que se habituou a viver abaixo da própria capacidade, não por falta de valor, mas por excesso de medo.
Nesse dia, ela fez uma coisa pequena, mas gigante. Disse “não”. Não ao quase. Não ao talvez. Não ao “é melhor do que nada”.
E quando ela disse não, abriu espaço para o tudo. Não o tudo perfeito. Mas o tudo digno. O tudo inteiro. O tudo que não te diminui para caber.
Foi aí que percebi o valor prático desta história. A vida não melhora quando aceitas mais coisas. Melhora quando deixas de aceitar o que te encolhe.

— Filipe de Luar

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