Acordei às 3h17. Outra vez. O silêncio do quarto parecia gozar comigo. E a minha cabeça, essa, já estava em modo sprint antes de eu sequer perceber que tinha os olhos abertos.
A insónia tem esta crueldade: chega sem aviso, instala-se sem pedir licença e transforma minutos em horas que não passam. E tu ficas ali, deitado, a negociar com o sono como se fosse um cliente difícil.
Nessa noite, fiz o que sempre faço quando o corpo está cansado mas a mente insiste em ficar acordada: tentei controlar. Respirar fundo. Virar para o lado. Contar até cem. Nada.
Até que percebi uma coisa simples, quase óbvia, mas que nunca tinha realmente aplicado: o sono não aparece quando o persegues, aparece quando o deixas vir.
Então levantei-me. Fui beber água. Sentei-me no sofá, luz baixa, sem telemóvel, sem estímulos. Só eu e o silêncio, mas agora sem luta. E, de repente, o corpo deu o sinal: “Agora.” Voltei para a cama e adormeci em minutos.
A insónia não é só falta de sono.
É excesso de controlo.
É a mente a tentar mandar no corpo.
E o corpo, teimoso, a resistir.
— Filipe de Luar

Deixe um comentário