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Em mim

Começou num daqueles dias em que o silêncio faz mais barulho do que qualquer conversa. Olhei para mim como quem olha para um estranho. E percebi uma coisa simples, mas desconfortável: eu estava a viver para fora, mas a perder-me por dentro.
Durante anos, fui colecionando expectativas que não eram minhas. “Faz assim.” “Segue por ali.” “É o melhor para ti.” E eu ia dizendo que sim, porque dizer que não parecia demasiado caro.
Até que um dia acordei cansado… sem ter feito nada. Cansado de me afastar de mim.
Foi aí que reparei: a vida não estava difícil, eu é que estava distante de mim próprio. E quando te afastas de ti, tudo pesa mais. As decisões ficam turvas. Os dias ficam iguais. E tu ficas pequeno dentro da tua própria vida.
Voltar a mim não foi um momento épico. Foi um gesto pequeno. Um “basta”. Um “hoje faço diferente”. Um “isto sou eu, isto não sou”.
E é curioso como, quando voltas a ti, o mundo não muda… mas tu mudas o suficiente para o mundo deixar de te esmagar.

— Filipe de Luar

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