Anúncios
Anúncios

Corta o ruído

Acordei um dia e percebi uma coisa estranha: o meu telemóvel sabia mais sobre o meu tempo do que eu.
Notificações, vibrações, pop‑ups. Cada uma a puxar-me como quem puxa a manga de uma criança. E eu? Ia atrás. Sem pensar. Sem escolher. Só reagia.
O choque veio quando reparei que tinha passado 40 minutos a saltar entre apps… sem fazer absolutamente nada que importasse. Zero. Nada. Como se alguém tivesse carregado em “pausa” na minha vida enquanto eu andava a correr atrás de distrações embaladas em pixels.
Nesse dia, fiz uma experiência simples: Desliguei tudo durante uma hora. Só uma hora.
E foi quase desconfortável no início. O silêncio parecia demasiado grande. Mas depois… comecei a ouvir-me. Ideias que estavam soterradas apareceram. Tarefas que eu andava a adiar ficaram claras. A sensação de controlo voltou, devagar, mas voltou.
Percebi que as distrações não são o problema.
O problema é quando deixamos que decidam por nós.

— Filipe de Luar

Deixe um comentário