Há noites em que a Lua cheia parece olhar para nós como quem diz: “Então, já percebeste ou ainda estás a tentar?”. E nós… nós fingimos que não ouvimos. Fingimos que está tudo bem, que estamos tranquilos, que sabemos o que estamos a fazer com a nossa vida. Mas a verdade é que ninguém sabe. E está tudo bem.
Vivemos num tempo estranho. Toda a gente parece feliz no Instagram, mas ninguém dorme bem. Toda a gente diz que está a “viver o momento”, mas passa metade do dia a comparar a própria vida com a dos outros. Toda a gente quer ser diferente, mas tem medo de não ser aceite. É aquela vibe meio caótica, meio bonita, meio “não sei o que estou a fazer mas vou continuar”.
A Lua cheia aparece e ilumina tudo: o que somos, o que escondemos, o que evitamos. E, de repente, percebemos que estamos cansados de fingir. Cansados de correr atrás de expectativas que nem são nossas. Cansados de tentar ser perfeitos num mundo que está longe de o ser.
A verdade é esta: estamos todos a tentar. A tentar crescer sem nos perdermos. A tentar ser fortes sem deixar de sentir. A tentar encontrar o nosso lugar num planeta que muda mais depressa do que nós conseguimos acompanhar.
E sabes o que é mais bonito? É que, mesmo assim, continuamos. Continuamos a acreditar, a sonhar, a falhar, a levantar, a rir, a chorar, a amar. Continuamos a procurar sentido nas pequenas coisas: num abraço, numa conversa às três da manhã, num silêncio confortável, numa Lua cheia que nos lembra que a vida é feita de ciclos e que nenhum ciclo dura para sempre.
A realidade actual é dura, mas também é nossa. É crua, mas é verdadeira. É confusa, mas é real. E talvez seja isso que nos une: o facto de estarmos todos a viver esta montanha-russa emocional ao mesmo tempo, a tentar não cair, a tentar não desistir, a tentar ser humanos num mundo que nos quer máquinas.
Por isso, olha para a Lua cheia. Respira fundo. Lembra-te: não tens de ter tudo resolvido. Não tens de ser perfeito. Não tens de saber o caminho todo. Basta continuares a andar, mesmo devagar. Basta seres verdadeiro contigo. Basta seres tu, sem filtros, sem máscaras, sem medo.
Porque, no fim, a magia está aí: na autenticidade que o mundo tenta apagar, mas que tu insistes em manter acesa.
— Filipe de Luar

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