Acorda. O mundo está a correr, mas não é só velocidade, é ruído, é feed, é pressa. Crescemos a ver vidas em loop, a comparar capítulos com highlights, a medir valor por notificações. Ainda assim, há uma coisa que não cabe num ecrã: a tua presença. Lembra-te de mim — diz isso ao espelho, ao amigo, ao futuro que ainda não chegou.
Há dias em que tudo parece um filtro mal aplicado. Tens de ser forte, feliz, produtivo, cool, empreendedor, sustentável, politicamente correto, e ainda por cima ter tempo para amar. É demasiado. Respira. A realidade actual é feita de contradições: temos mais ligações e menos contacto; mais informação e menos sentido; mais escolhas e menos coragem para escolher. Isso não é falha tua, é o sistema a pedir atenção.
Ser jovem hoje é aprender a navegar entre o que te vendem e o que te alimenta. Não é sobre ter tudo resolvido; é sobre perceber o que te aquece a alma. Faz perguntas que incomodam, não para provar nada a ninguém, mas para te encontrares. Troca o scroll por conversas reais. Sai do modo automático e experimenta o silêncio que te deixa ouvir o que realmente queres.
Não te iludas com a perfeição das timelines. A vida é feita de borrões, de erros que ficam bonitos com o tempo, de recomeços que ninguém anuncia. Partilha menos poses e mais histórias verdadeiras. Quando alguém te disser que és demasiado sensível, lembra-te de que a sensibilidade é radar, é o que te salva de viver por inércia. Lembra-te de mim quando precisares de coragem para ser humano.
E sim, há medo. Medo do futuro, do fracasso, do julgamento. Usa esse medo como combustível, não como prisão. Aprende a falhar em público, a levantar-te com graça, a pedir ajuda sem vergonha. A tua geração tem uma arma poderosa: a capacidade de transformar indignação em ação. Não deixes que a passividade te anestesie.
No fim, o que importa é simples: ser fiel ao que te faz vibrar. Não ao que te faz parecer bem. Faz arte com o que tens, fala com quem te entende, cuida de quem te escolhe. Se um dia te sentires perdido, repete: Lembra-te de mim — e lembra-te de quem és quando ninguém estiver a olhar.
— Filipe de Luar

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