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O poder de ficar quieto

Ficarei quieto, não porque desisti, mas porque aprendi que nem tudo precisa de resposta imediata. Vivemos num mundo onde toda a gente fala ao mesmo tempo, onde cada opinião disputa espaço, onde o silêncio parece quase um erro. Mas não é.
Ficar quieto é, às vezes, a forma mais honesta de existir. É aquele momento em que decides não entrar na corrida, não provar nada, não te explicar a quem não quer entender. É quando percebes que a tua paz vale mais do que qualquer discussão que te rouba energia.
Ficar quieto não é fraqueza, é maturidade. É saber que nem tudo merece a tua voz, que nem tudo precisa da tua presença, que nem tudo tem de ser resolvido hoje. É aceitar que há batalhas que se ganham com calma, e verdades que só se revelam quando deixas de forçar.
E no meio deste mundo acelerado, onde tudo é urgente, ficar quieto é quase revolucionário. É escolher ouvir antes de reagir. É respirar antes de responder. É sentir antes de decidir.
Ficarei quieto porque estou a aprender a ouvir-me. A perceber o que realmente me move, o que me pesa, o que me faz bem. A distinguir o que é meu do que é ruído. A escolher o que me constrói e largar o que me desgasta.
Ficarei quieto porque o silêncio também fala. Fala do que já não tolero. Fala do que já não carrego. Fala do que estou a aprender a ser. E, às vezes, é no silêncio que finalmente nos encontramos.

— Filipe de Luar

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