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O que vês não é tudo o que és

A vida hoje parece um espelho partido: cada pedaço mostra uma parte de nós, mas nenhum mostra tudo. E é assim que caminhamos, a juntar fragmentos, a tentar perceber quem somos no meio de tanta coisa que nos puxa para lados diferentes.
Vivemos num tempo rápido, barulhento, cheio de opiniões, expectativas e comparações. Um tempo que nos diz para sermos fortes, produtivos, decididos… mesmo quando por dentro só queremos um minuto para respirar. E é aqui que a realidade se torna mais humana: quando percebemos que ninguém tem tudo alinhado, ninguém vive sempre no ritmo certo, ninguém cresce sem se perder um bocadinho pelo caminho.
O espelho da vida não mostra só o que somos, mostra também o que estamos a tentar ser. Mostra as dúvidas que escondemos, as pausas que evitamos, os medos que fingimos não ter. Mostra as pequenas coragens que ninguém vê, os recomeços silenciosos, as versões nossas que ainda estão a nascer.
E, mesmo assim, continuamos. Entre quedas e levantamentos, entre confusão e clareza, entre aquilo que já não somos e aquilo que ainda não sabemos ser. Crescemos nos detalhes, nos silêncios, nos momentos em que quase desistimos mas escolhemos tentar outra vez.
O espelho da vida não pede perfeição, pede presença. Pede que olhemos para nós com a mesma honestidade com que olhamos para o mundo. Pede que aceitemos que estamos em construção, sempre. Pede que sejamos gentis connosco enquanto aprendemos a existir num tempo que pede pressa, mas onde o que realmente importa nasce devagar.
E talvez seja isso que nos une: esta vontade silenciosa de continuar, mesmo quando não sabemos bem como.

— Filipe de Luar

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