Vivemos num tempo estranho: tudo é rápido, tudo é imediato, tudo é para ontem. Mas quando se trata de sentir… nada disso funciona. Sentir não tem botão, não tem horário, não tem manual. E, mesmo assim, continuamos a perguntar em silêncio: como posso eu sentir‑te? Como é que se sente alguém num mundo que já nem sabe sentir a si próprio?
A verdade é que hoje sentimos tudo a metade. Metade presença, metade distração. Metade interesse, metade medo. Metade entrega, metade defesa. Estamos tão habituados a correr que já nem sabemos estar. Tão habituados a proteger-nos que já nem sabemos abrir espaço. Tão habituados a fingir que está tudo bem que já nem sabemos reconhecer quando algo mexe connosco.
Sentir alguém não é sobre intensidade, é sobre verdade. É sobre estar ali, mesmo que não saibas o que fazer com o que estás a sentir. É sobre permitir que o outro exista no teu mundo sem tentares controlar o que isso significa. É sobre aceitar que sentir não é linear, não é bonito todos os dias, não é fácil, mas é real.
E, no fundo, sentir alguém é isto: é reparar nos detalhes que ninguém vê, é ouvir o que não foi dito, é perceber que há pessoas que chegam e mudam o ar, mesmo sem tocar em nada.
Num mundo que vive à superfície, sentir é quase um acto de coragem. E perguntar “como posso eu sentir‑te?” é, na verdade, perguntar: como posso eu permitir-me sentir outra vez?
Porque sentir não é perder o controlo. É ganhar vida. E isso… ainda vale a pena.
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