Há dias que chegam assim: cinzentos como o tempo. Não avisam, não explicam, não pedem licença. Só aparecem meio baços, meio pesados, meio silenciosos e deixam-nos a tentar perceber onde encaixamos no meio de tanta coisa que não controlamos.
O cinzento não é drama, não é queda, não é fim. É aquele intervalo estranho entre o que sentimos e o que ainda não sabemos dizer. É o espaço onde tudo abranda, onde a cabeça faz barulho e o coração fica quieto. É o momento em que percebemos que não dá para estar sempre no máximo, sempre coloridos, sempre prontos para tudo.
Vivemos numa realidade que exige brilho constante, respostas rápidas, energia infinita. Mas ninguém vive sempre em modo arco‑íris. Há dias neutros, lentos, quase invisíveis, que também contam e muito. Porque é no cinzento que percebemos o que pesa, o que falta, o que importa. É no cinzento que se faz limpeza, que se abre espaço, que se prepara terreno.
O cinzento é honesto. Não promete nada, mas permite tudo. É pausa antes do próximo passo. É silêncio antes da próxima versão de nós. É o lembrete de que crescer não é um espetáculo, é um processo. E processos têm fases. Fases claras, fases escuras, fases cinzentas.
E, no fundo, é isso que importa: o cinzento não é derrota, é transição. Não é vazio, é preparação. Não é o fim, é o meio.
Todos temos dias cinzentos. E, mesmo assim, continuamos. E isso… já diz muito sobre nós.
Gostaram do texto?
Deixem o vosso like e partilhem a vossa opinião nos comentários, adoro ler-vos. Se clicarem na publicidade do site não pagam nada, mas para mim é um incentivo real para continuar a publicar todos os dias. Escrever para vocês é um prazer; só com o vosso apoio é que torna tudo isto possível.
Obrigado por estarem desse lado.

Deixe um comentário