Há uma árvore que vive dentro de cada um de nós, mesmo que não a vejas, mesmo que não saibas o nome dela. Cresce em silêncio, no meio do caos, no meio da pressa, no meio das expectativas que o mundo te atira como se fosses obrigado a acompanhar tudo. É uma árvore teimosa: estica raízes quando a vida aperta, abre ramos quando finalmente respiras, floresce nos dias em que achas que não tens mais nada para dar.
Vivemos numa realidade acelerada, onde toda a gente parece estar sempre a crescer mais rápido do que nós. Mas a verdade é simples: ninguém cresce sempre para cima. Às vezes cresces para dentro. Às vezes cresces para o lado. Às vezes ficas parado, a tentar perceber onde estás. E isso também é crescimento.
A árvore que te habita não quer perfeição, quer presença. Quer que pares um segundo, que oiças o que sentes, que percebas que não és fraco por abrandar. Quer que entendas que até as árvores mais fortes passam por invernos longos antes de voltarem a florir. E que tu não és diferente.
Há dias em que os ramos pesam, em que o tronco parece frágil, em que o vento da vida te abana mais do que devia. Mas, mesmo assim, continuas de pé. Mesmo assim, há qualquer coisa em ti que insiste em crescer, mesmo devagar. Mesmo sem certezas. Mesmo sem aplausos.
A árvore que te habita lembra-te que és feito de ciclos, de pausas, de recomeços. Que tens raízes que te seguram e ramos que ainda não descobriste até onde podem chegar. Lembra-te que és mais profundo do que mostras, mais resistente do que acreditas e mais vivo do que pensas.

Anúncios
Deixe um comentário