A cidade à noite tem uma energia estranha, quase mágica. As luzes acendem, o barulho muda, as ruas parecem outras. Há carros, risos ao fundo, gente a passar apressada, janelas acesas, música a sair de algum lado que não sabemos bem de onde. E, no meio disso tudo, há um momento em que o mundo abranda: quando te encontro.
A cidade à noite quando te encontro deixa de ser só prédios, trânsito e neons. De repente, o caos fica mais suave, o barulho parece música de fundo e até o frio sabe menos a inverno. Não é que os problemas desapareçam, mas ficam em pausa por uns minutos. Como se o universo carregasse num botão de “calma” só porque estamos no mesmo sítio.
Há qualquer coisa de bonito em cruzar olhares no meio de uma rua que nem é nossa, mas passa a ser. Em caminhar ao teu lado sem destino muito definido, só a seguir o fluxo das luzes e das conversas. Falamos de tudo e de nada: dos medos que não contamos a ninguém, dos sonhos que ainda não sabemos se vão acontecer, das coisas que nos partiram e das que ainda queremos viver.
A cidade à noite quando te encontro lembra‑me que não estamos assim tão sozinhos como às vezes parece. Que, mesmo num mundo cheio de gente distraída, ainda há espaço para encontros que fazem sentido. Para abraços que aquecem mais do que qualquer casaco. Para silêncios que não são estranhos, só confortáveis.
É curioso como, à noite, tudo parece mais verdadeiro. Talvez seja o cansaço, talvez seja a honestidade que aparece quando o dia já nos tirou as máscaras. Dizemos coisas que de manhã engoliríamos. Admitimos saudades, confessamos inseguranças, rimos de coisas que nos doeram, mas que agora já conseguimos ver com alguma distância.
A cidade à noite quando te encontro é um lembrete de que a vida não é só correr, produzir, responder a mensagens e parecer bem. É também parar num passeio qualquer, sentar num banco de jardim, dividir um maço de batatas fritas, olhar para o céu mesmo que quase não se vejam estrelas. É sentir que, por um momento, o tempo não está contra nós.
E não importa se estamos no centro, num bairro qualquer, à beira‑rio ou numa rua que nem sabemos o nome. O cenário muda, mas a sensação é a mesma: tudo faz um bocadinho mais sentido quando estás ali. A cidade continua grande, confusa, cheia de histórias que não são nossas. Mas, naquela hora, a nossa história ganha destaque. Como se alguém tivesse aumentado o brilho só em nós.
A cidade à noite quando te encontro também mostra a realidade crua: somos uma geração cansada, ansiosa, cheia de perguntas sem resposta. Mas também somos uma geração que ainda acredita no poder de um encontro, de uma conversa honesta, de um “cheguei bem a casa, obrigado por hoje”. E isso vale muito mais do que parece.
No fim, talvez seja isso que nos salva: estes pequenos momentos em que o mundo continua a girar, mas nós paramos um bocadinho para sentir. Para estar. Para olhar para alguém e pensar: “Ainda bem que existes. Ainda bem que hoje nos cruzámos aqui.”
A cidade à noite quando te encontro não é só um lugar nem só uma hora do dia. É um estado de alma. É a prova de que, mesmo no meio do caos, ainda há espaço para o tipo de conexão que dá vontade de dizer: “Lê isto. É sobre nós.”

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