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A Pressão da Vida Moderna

A realidade actual parece um daqueles filmes em que ninguém sabe muito bem quem escreveu o guião… mas todos nós estamos a representar nele. Há dias em que tudo parece rápido demais, outros em que o mundo parece parado, como se estivesse à espera que alguém carregue no play. E no meio disto tudo estamos nós, a tentar perceber quem somos, para onde vamos e o que fazemos com este caos que nos cai aos pés.
A verdade é que crescemos a ouvir que “o futuro é nosso”, mas ninguém nos avisou que o futuro vinha com notificações infinitas, expectativas absurdas e uma pressão silenciosa para sermos tudo ao mesmo tempo. Ser fortes, ser produtivos, ser felizes, ser impecáveis… como se a vida fosse um currículo que temos de preencher sem falhas.
Mas há algo que ninguém nos tira: a capacidade de sentir. E sentir é revolucionário. Sentir cansaço, sentir alegria, sentir medo, sentir vontade de mudar tudo, isso é sermos humanos. E, honestamente, num mundo que parece cada vez mais automático, ser humano é quase um superpoder.
A realidade actual não é perfeita. Está cheia de desigualdades, de ruído, de incertezas. Mas também está cheia de gente que não desiste, que tenta outra vez, que acredita que dá para fazer melhor. Gente que, mesmo sem saber como, continua a caminhar. E isso vale ouro.
Talvez o segredo esteja em não fingir que está tudo bem quando não está. Em falar mais, ouvir mais, abraçar mais. Em mandar aquela mensagem que diz “estou aqui”. Em admitir que não sabemos tudo e que não precisamos de saber.
Porque a vida não é uma corrida. É mais como uma playlist: há músicas que passam rápido, outras que queremos repetir, outras que nos fazem chorar sem aviso. E está tudo certo. O importante é não deixarmos de ouvir, de sentir, de viver.
Se há algo que esta realidade nos ensina é isto: somos mais fortes juntos. Mais lúcidos quando partilhamos. Mais leves quando deixamos cair o peso que não é nosso. E mais livres quando percebemos que não precisamos de encaixar em moldes que nunca foram feitos para nós.
Por isso, respira fundo. Olha à tua volta. Há sempre alguém a tentar, tal como tu. E isso cria um laço invisível, um abraço intemporal que atravessa idades, histórias e distâncias.
Partilha isto com alguém que precise de um lembrete: estamos todos a aprender a viver no meio do caos. E, mesmo assim, continuamos a encontrar beleza. Isso, por si só, já é uma pequena vitória.

— Filipe de Luar

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