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Noites em Sono

Há noites em que o corpo está deitado… mas a cabeça está em modo Wi‑Fi sem password: ligada a tudo e a nada ao mesmo tempo. Ficas ali, a olhar para o tecto, a fazer scroll mental infinito, a tentar perceber onde encaixas no meio desta realidade meio caótica, meio bonita, meio confusa, tipo vida real em modo “beta”.
E a verdade é que não és só tu. Somos muitos a viver noites em sono: não dormimos, mas também não estamos acordados para o que realmente importa. É aquele limbo estranho entre o “estou bem” e o “não faço ideia do que estou a fazer”. E está tudo bem. A sério. Está mesmo.
Porque crescer, seja aos 16, 20, 30 ou 50, é isto: É tentar encontrar sentido enquanto o mundo muda mais depressa do que conseguimos acompanhar. É sentir que estamos sempre a meio caminho de qualquer coisa. É ter medo de falhar, mas continuar a tentar. É querer desligar, mas continuar a pensar. É viver noites em sono… até perceber que não estamos sozinhos nelas.
A realidade actual é intensa. É pressão para ser alguém, para fazer mais, para não ficar para trás. É comparação constante, é ansiedade disfarçada de produtividade, é cansaço mascarado de “estou só ocupado”. Mas também é força. É criatividade. É resiliência. É esta geração, a nossa, que sente tudo demasiado, mas que transforma tudo em algo novo.
E talvez seja isso que ninguém nos diz: As noites em sono não são sinal de fraqueza. São sinal de que te importas. De que estás a tentar. De que estás vivo.
Então respira. Fecha os olhos. Desliga o mundo por uns minutos. Amanhã continua lá, mas tu, amanhã, podes estar diferente. Mais leve. Mais tu.
E se este texto te tocou, partilha-o. Não porque “fica bem”, mas porque alguém aí desse lado pode estar a viver a mesma noite que tu. E às vezes basta uma frase para acender uma luz no escuro.

— Filipe de Luar

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