Há coisas que não se explicam, sentem‑se. E ler o mar é uma delas.
Sim, ler o mar. Porque o mar não é só água. É texto vivo. É capítulo aberto. É história que muda sempre que o vento vira a página.
Quando te sentas na areia e ficas ali, a olhar para o infinito, há uma espécie de conversa silenciosa a acontecer. O mar fala, não com palavras, mas com ondas. E tu lês, não com os olhos, mas com o peito.
Ler o mar sabe a liberdade. Sabe a sal. Sabe a aquela sensação de que, mesmo quando tudo parece demasiado, há sempre um horizonte a prometer que a vida continua.
Sabe a verão, mesmo no inverno. Sabe a recomeço, mesmo quando estás cansado. Sabe a abraço, mesmo quando estás sozinho.
E o mais bonito? Cada pessoa lê o mar de forma diferente.
Há quem leia coragem nas ondas grandes. Há quem leia calma no vai‑e‑vem lento. Há quem leia memórias, promessas, medos, sonhos. E há quem leia apenas silêncio e isso também é poesia.
O mar é o livro mais honesto que existe. Não te julga. Não te apressa. Não te pede nada. Só te devolve aquilo que precisas de ouvir… mesmo que não saibas que precisas.
Por isso, da próxima vez que fores à praia, ou mesmo que passes só ali, rápido, pela marginal, pára um segundo. Respira fundo. Escuta. Lê.
Porque o mar tem um sabor que não se prova com a língua, mas com a alma. E quando aprendes a lê‑lo, percebes que há histórias que não vêm em livros… mas que mudam a tua vida na mesma.


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