Há momentos assim, em que o silêncio, a quietude, o nada se transformam num eco ensurdecedor que não nos leva a nada, só a dor e a certeza do nada. O eco é uma resposta dos teus demónios, ao que escutas dos teus anjos mas não crês, ao que acreditas no teu deus mas não vês, no fundo uma simples réplica do que dizes mas não pensas e do que pensas sem dizeres, algo puro e duro mas demasiado real para que o enfrentes.
Já tive o privilégio de ouvir o silêncio. Em certos momentos, fui capaz de o ouvir distintamente, como a tela de uma colagem a que os ruídos se justa punham o chilrear dos pássaros, o marulhar da água, o sussurrar do vento e até o murmúrio da minha respiração que reduzi, para não incomodar. E no fundo, bem lá no fundo, lá estava ele, o silêncio a olhar para mim e a sublinhar a minha imensa felicidade de estar finalmente em paz.
- Filipe Miguel
AMORES CLANDESTINOS
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