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Escreve‑me quando o mundo grita

Escreve‑me no meio do caos.
Escreve‑me quando o mundo fizer barulho demais e tu já não souberes onde pousar a cabeça.
Escreve‑me quando te sentires a meio de tudo e de nada, quando estiveres cansado de tentar ser forte, quando o silêncio te pesar mais do que devia.
Vivemos numa realidade que nos puxa para mil direções ao mesmo tempo. Há expectativas, pressões, opiniões, comparações. Há dias em que parece que toda a gente sabe o que está a fazer, menos nós. E é aí que a vida se torna mais real: naquele instante em que admitimos que estamos a aprender enquanto avançamos.
Escreve‑me quando te sentires dividido entre o que eras e o que ainda não sabes ser. Quando o teu interior falar baixinho e o mundo gritar alto demais. Quando te apetecer desaparecer, mas também quando te apetecer recomeçar. Porque a verdade é simples: ninguém tem tudo alinhado. Ninguém vive sempre no ritmo certo. Ninguém cresce sem tropeçar.
Somos feitos de tentativas, de pausas, de dúvidas, de pequenos brilhos que só aparecem quando ninguém está a ver.
Somos feitos de momentos em que quase desistimos e de outros em que, sem saber como, encontramos força para continuar.
Escreve‑me quando precisares de lembrar que estás vivo. Que estás a sentir. Que estás a mudar, mesmo quando parece que estás parado. Que estás a construir uma versão tua que ainda não consegues imaginar. No fundo, todos andamos assim: a tentar ser inteiros num mundo que nos parte em pedaços. A tentar ouvir-nos no meio do ruído. A tentar existir com alguma calma num tempo que pede pressa. E talvez seja isso que nos une: esta vontade silenciosa de continuar, mesmo quando não sabemos bem como.

— Filipe de Luar

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