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Quando o mundo grita e tu só queres ouvir‑te

Vivemos num tempo em que tudo fala ao mesmo tempo: o mundo lá fora grita, o mundo cá dentro sussurra. E nós ficamos ali, no meio, a tentar perceber qual destas vozes é a nossa. Há dias em que o barulho é tanto que parece impossível ouvir-nos. E há outros em que o silêncio é tão profundo que quase assusta. Mas é entre estes extremos que a vida realmente acontece.
Entre sussurros e urros, percebemos que crescemos de formas estranhas: às vezes devagar demais, outras depressa demais. Há momentos em que sentimos que estamos a explodir por dentro, e outros em que tudo o que conseguimos fazer é respirar. E está tudo certo. Porque ninguém vive sempre alinhado. Ninguém sabe sempre o que está a fazer. Ninguém tem todas as respostas.
A realidade pede pressa, mas o nosso interior pede calma. O mundo exige certezas, mas nós somos feitos de perguntas. E é nesta mistura, que tentamos encontrar um ritmo que faça sentido. Um ritmo que seja nosso.
O mais curioso é que, mesmo quando parece que nada muda, algo em nós está sempre a mexer. Há pensamentos a encaixar, emoções a pousar, verdades a ganhar forma. A transformação não acontece só nos grandes momentos; acontece nos detalhes que ninguém vê, nos silêncios que ninguém ouve, nas pequenas coragens que ninguém aplaude.
Entre sussurros e urros, descobrimos quem somos quando ninguém está a olhar. Deixamos cair versões antigas, abrimos espaço para o que ainda não sabemos nomear, e caminhamos, às vezes com força, outras com fragilidade, mas sempre a caminhar.
E talvez seja isso que importa: não o volume da vida, mas a forma como aprendemos a ouvir-nos no meio dela.

— Filipe de Luar

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