Há fases da vida em que tudo parece uma pausa longa demais, como se estivéssemos num lugar que não é o que fomos nem o que vamos ser. Ficamos ali, num intervalo silencioso, a tentar perceber porque é que o mundo continua a correr enquanto nós sentimos que estamos parados. E, mesmo assim, há qualquer coisa dentro de nós que continua a mexer, mesmo quando por fora parece que nada acontece.
Vivemos numa realidade que exige pressa, certezas e respostas imediatas, mas por dentro somos feitos de ritmos lentos, dúvidas e emoções que não cabem em frases rápidas. É por isso que tantas vezes nos sentimos entre estações: já não encaixamos no que ficou para trás, mas ainda não temos forma para o que vem a seguir. E isso cria um vazio estranho, mas também um espaço onde começamos a perceber quem realmente somos.
O mundo diz para avançarmos, decidirmos, sermos fortes, mas a verdade é que crescemos no caos, aprendemos na dúvida e mudamos no desconforto. Há dias em que parece que estamos a evoluir, outros em que parece que estamos a desmoronar, e outros ainda em que só conseguimos existir e isso já é muito. Porque, mesmo quando não vemos, há sempre algo a reorganizar‑se cá dentro: pensamentos que se alinham, emoções que se encaixam, verdades que começam a ganhar forma.
Estar entre estações não é estar perdido. É estar a transformar‑se. É estar a meio de algo importante, mesmo que ainda não saibamos o quê. É o momento em que deixamos cair versões antigas de nós para abrir espaço ao que ainda não sabemos nomear. E, quando finalmente chegamos à estação seguinte, percebemos que o intervalo fez mais por nós do que o destino.
Entre estações é onde crescemos sem dar conta. Onde nos reencontramos. Onde começamos, devagar, a tornar‑nos quem realmente somos.
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