Vivemos numa época em que sabemos tudo sobre tudo… e, ao mesmo tempo, quase nada sobre nós. Temos acesso a respostas em segundos, mas continuamos cheios de perguntas por dentro. É estranho, não é? Quanto mais o mundo parece “claro”, mais nós nos sentimos um enigma.
Somos a geração que sabe o que está a acontecer em qualquer lugar do planeta, mas muitas vezes não sabe o que está a acontecer cá dentro. Sabemos o que toda a gente faz, onde está, com quem está, o que conquista, mas não sabemos bem o que queremos, o que sentimos, o que nos faz verdadeiramente bem. É como viver com o brilho no máximo no ecrã… e o brilho no mínimo em nós.
A realidade actual é esta: muita informação, pouca compreensão, muita exposição, pouca conexão, muitos contactos, pouca presença.
E no meio disto tudo, nós: a tentar decifrar quem somos, a tentar perceber para onde vamos, a tentar encaixar num mundo que muda mais depressa do que conseguimos acompanhar.
O enigma não é o mundo. O enigma somos nós, a forma como sentimos, como pensamos, como reagimos, como nos protegemos, como nos sabotamos, como nos levantamos depois de cair. Somos um conjunto de medos antigos, sonhos novos, expectativas dos outros e desejos que ainda nem sabemos pôr em palavras.
Mas há uma coisa bonita neste enigma: ele não é para ser resolvido de uma vez. É para ser vivido. É para ser descoberto aos poucos. É para ser aceito, mesmo quando não faz sentido nenhum.
Talvez a verdadeira maturidade não seja “ter tudo percebido”, mas aprender a viver com perguntas abertas. Com fases em que não sabemos quem somos, mas continuamos a aparecer. Com dias em que não acreditamos em nada, mas mesmo assim damos mais uma oportunidade à vida.
O enigma que somos não é defeito, é prova de que estamos vivos. De que sentimos fundo. De que pensamos demais. De que nos importamos, mesmo quando dizemos que não.
No fundo, a realidade actual é confusa, rápida, intensa, mas também é o cenário perfeito para uma coisa: voltarmos a nós, devagar, sem pressa de nos “entender” totalmente.
Talvez o truque não seja decifrar o enigma… Talvez o truque seja aprender a gostar dele. De ti. Assim mesmo: incompleto, em processo, em construção.
E se há mensagem que vale a pena partilhar é esta: ninguém tem tudo resolvido. Somos todos um bocadinho enigma, e está tudo bem.
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