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Encontrei‑me onde nunca procurei

Há um momento na vida em que percebemos que passámos demasiado tempo a procurar lá fora aquilo que sempre esteve cá dentro. E é estranho, quase irónico, como vivemos rodeados de gente, de ruído, de pressa, mas continuamos a sentir um vazio que ninguém vê. Até ao dia em que paramos. Respiramos. E finalmente nos encontramos.
Encontrar‑nos não é um acontecimento mágico, é um processo. É perceber que não somos a versão que mostramos nas redes, nem a expectativa que os outros têm de nós. É aceitar que crescemos, mudamos, falhamos, recomeçamos e que tudo isso faz parte. É olhar para dentro sem medo do que vamos encontrar.
A realidade actual empurra‑nos para fora de nós: produtividade, comparação, validação, pressa. Mas o que realmente importa vive no silêncio que tentamos evitar. Vive nas perguntas que adiamos, nas emoções que escondemos, nos sonhos que guardamos porque parecem “demais”. Vive na coragem de admitir que estamos cansados, confusos, partidos e mesmo assim continuamos.
Encontrar‑nos é isto: perceber que não precisamos de ser perfeitos para sermos suficientes; deixar de correr atrás de tudo e começar a correr para dentro; ouvir a nossa própria voz no meio do barulho do mundo; reconhecer que a paz não está no que conquistamos, mas no que entendemos sobre nós.
E quando finalmente nos encontramos, algo muda. Não é que a vida fique mais fácil, é que ficamos mais verdadeiros. Mais alinhados. Mais inteiros. Mais nós.
No fundo, encontrar‑nos é o início de tudo: da clareza, da força, da calma, do caminho. E talvez seja isso que mais falta nos faz hoje, voltarmos a nós, antes de voltarmos ao mundo.

— Filipe de Luar

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