Há dias em que parece que estamos a nadar contra tudo, contra o mundo, contra o tempo, contra nós próprios. Como se a vida fosse um rio rápido demais, e nós ali, no meio, divididos entre o que queremos ser e o que esperam de nós. Entre o que sentimos e o que mostramos. Entre o que pensamos e o que dizemos. Entre ficar e seguir.
Vivemos numa realidade que puxa para mil lados ao mesmo tempo. É pressão para ser produtivo, para ser forte, para ser estável, para ser “alguém”. E, no meio disso tudo, esquecemo‑nos de que somos humanos e humanos também se partem, também se cansam, também se perdem um bocadinho.
Estar dividido na corrente não é fraqueza. É sinal de que estás a tentar. É sinal de que ainda te importas. É sinal de que estás a crescer, mesmo quando parece que estás a afundar.
A verdade é que ninguém vive sempre alinhado. Todos temos momentos em que o coração diz uma coisa e a cabeça diz outra. Momentos em que queremos avançar, mas algo dentro de nós pede para parar. Momentos em que sentimos que estamos a ser puxados por forças que não controlamos.
Mas é aí, exatamente aí, que a vida acontece. Na dúvida. Na confusão. No meio da corrente.
Porque é no caos que descobrimos o que realmente importa. É no aperto que percebemos quem somos. É na turbulência que aprendemos a nadar melhor, a respirar fundo, a escolher o nosso ritmo.
No fundo, estar dividido não significa que estás perdido. Significa que estás em movimento. E movimento é vida.
Um dia, a corrente acalma. Um dia, tudo faz sentido. Até lá, continua a nadar, mesmo devagar, mesmo cansado, mesmo dividido. Porque é assim que se chega a algum lado.
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