Anúncios
Anúncios

Tenho medo… mas continuo

Há coisas que ninguém nos ensina a fazer. Confessar os medos é uma delas. Crescemos a ouvir que temos de ser fortes, seguros, decididos, como se sentir medo fosse sinal de falha. Mas a verdade é outra: toda a gente tem medos. Toda a gente carrega dúvidas. Toda a gente, em silêncio, tenta perceber como é que se vive com aquilo que assusta.
O medo não é inimigo, é aviso. É aquela voz que aparece quando algo importa. É o sinal de que estamos a pisar terreno novo, a sair do automático, a tocar em partes de nós que ainda não conhecemos bem. E, mesmo assim, passamos a vida a escondê-lo dos outros e de nós próprios, como se admitir fosse perder força, quando na verdade é o contrário.
Confessar os medos não é dramatizar, é humanizar. É dizer “eu também não sei”, “eu também falho”, “eu também tremo por dentro”. É abrir espaço para sermos reais num mundo que vive de máscaras. É permitir que alguém nos veja sem filtros, sem poses, sem aquela armadura que usamos para parecer que está tudo controlado.
E o mais curioso é que, quando confessamos um medo, ele encolhe. Fica menos pesado, menos gigante, menos dono de nós. Porque o medo cresce no silêncio, mas diminui na partilha. Às vezes basta dizê-lo em voz alta para percebermos que não estamos sozinhos, que não somos estranhos, que não somos fracos, somos humanos.
No fundo, confessar os medos é um acto de coragem. É escolher ser verdadeiro num mundo que prefere o disfarce. É admitir que sentir não nos diminui, aproxima-nos.
E talvez seja isso que falta hoje: menos perfeição, mais verdade. Menos pose, mais presença. Menos silêncio, mais coragem de dizer: “Tenho medo… mas continuo.”

— Filipe de Luar

Gostaram do texto?
Deixem o vosso like e partilhem a vossa opinião nos comentários, adoro ler-vos. Se clicarem na publicidade do site não pagam nada, mas para mim é um incentivo real para continuar a publicar todos os dias. Escrever para vocês é um prazer; só com o vosso apoio é que torna tudo isto possível.
Obrigado por estarem desse lado.

Deixe um comentário