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A lua nunca dorme

A lua nunca dorme, e nós vivemos como ela: entre fases, altos e baixos, dias cheios e dias minguados. Há noites em que brilhamos sem esforço, e outras em que mal conseguimos acender uma luz dentro de nós. E está tudo bem. A lua também não é perfeita todos os dias e continua linda.
A lua nunca dorme porque sabe que a vida não pára só porque estamos cansados. Há mensagens por responder, expectativas por cumprir, medos que aparecem quando o quarto fica escuro. Somos uma geração que pensa demais, sente rápido e tenta parecer forte mesmo quando está a desmoronar por dentro. Mas a lua lembra-nos que não precisamos de estar sempre no nosso melhor para sermos suficientes.
A lua nunca dorme e observa-nos no caminho de volta a casa, nas conversas que só acontecem à noite, nos pensamentos que guardamos para nós. Vê-nos a tentar, a falhar, a recomeçar. Vê-nos a procurar sentido num mundo que às vezes parece demasiado grande, demasiado rápido, demasiado barulhento.
E, mesmo assim, continuamos. Continuamos porque há sempre um motivo, um sonho, uma pessoa, uma esperança, que nos puxa para a frente. Continuamos porque, tal como a lua, também temos fases que ninguém entende, mas que fazem parte de quem somos.
A lua nunca dorme e lembra-nos disto: que não precisamos de ser luz o tempo todo, que crescer dói mas vale a pena, que sentir fundo não é fraqueza, e que, mesmo quando achamos que estamos no escuro, há sempre qualquer coisa em nós que ainda brilha.
No fim, somos todos um bocadinho lua: imperfeitos, intensos, em mudança constante e, mesmo assim, impossíveis de ignorar.

— Filipe de Luar


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