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Como a praia nos lembra de respirar

Há qualquer coisa na praia que nos devolve ao que é simples. É quase como se o mundo lá fora com pressões, expectativas, corridas contra o tempo, ficasse em pausa assim que os pés tocam na areia quente.
E talvez seja por isso que, hoje em dia, precisamos tanto dela.
Vivemos numa realidade que parece sempre acelerada. Tudo muda rápido, tudo exige resposta imediata, tudo pede que sejamos “mais”: mais produtivos, mais fortes, mais resilientes, mais tudo. E no meio disto, às vezes esquecemo-nos de respirar.
A praia lembra-nos disso. Lembra-nos que o mar não tem pressa, que as ondas não pedem desculpa por irem e voltarem, que o sol não se apressa para nascer nem para se pôr. E nós, que andamos sempre a correr, devíamos aprender com isso.
Imagina: estás ali, sentado na toalha, a olhar para o horizonte. O barulho das ondas mistura-se com risos ao longe, o cheiro a protetor solar, a brisa que arrepia só o suficiente. E naquele momento, tudo o que parecia gigante na tua cabeça… encolhe. A vida fica mais leve. Tu ficas mais leve.
A praia é o lembrete que não sabíamos que precisávamos: que a realidade pode ser dura, mas também pode ser bonita; que o mundo pode ser caótico, mas tu podes ser calma; que mesmo quando tudo parece demasiado, há sempre um lugar onde podes pousar o peso, nem que seja por uns minutos.
E a verdade é esta: A realidade actual não é fácil para ninguém, jovens, adultos, avós, toda a gente sente o impacto. Mas há pequenos refúgios que nos ajudam a não perder o norte. A praia é um deles. Um sítio onde voltamos a nós mesmos, onde percebemos que não precisamos de ter tudo resolvido para estar bem naquele instante.
Se calhar é por isso que, quando estamos lá, sentimos aquela vontade de guardar o momento, de o partilhar, de dizer aos amigos: “Bora desligar um bocado. Bora respirar. Bora viver.”
Porque no fundo, é isso que todos andamos a tentar fazer: viver, com mais verdade, mais calma, mais nós.

— Filipe de Luar


One response to “Como a praia nos lembra de respirar”

  1. Tenho o mar dentro de mim, e quando perto dele não posso estar, deixo que ele rebente nas rochas do meu coração e me inunde os olhos com a sua água salgada que para mim…Amo o Mar…por isso o transporto assim no peito!

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