O Inverno tem um jeito estranho de nos abrandar. Não pergunta, não avisa, não pede licença. Simplesmente chega, instala-se e baixa o volume do mundo.
E nós, que andamos sempre a correr, para a escola, para o trabalho, para expectativas que nem sabemos de onde vieram, de repente ficamos ali, frente a frente com o silêncio. Um silêncio que não é vazio… é honesto.
É no frio que percebemos coisas que o calor esconde. É no céu cinzento que vemos melhor o que anda a pesar cá dentro. É quando tudo parece parado que começamos a ouvir aquilo que ignorámos durante meses.
A verdade é que a realidade actual cansa. Cansa tentar ser “suficiente”. Cansa fingir que está tudo bem quando não está. Cansa viver num mundo onde toda a gente parece saber o que faz, menos nós.
Mas o Inverno lembra-nos uma coisa que esquecemos: ninguém floresce o ano inteiro.
Há fases para crescer, fases para parar, fases para sentir, fases para simplesmente existir. E está tudo bem não estar sempre no modo “produtivo”. Está tudo bem não ter respostas para tudo. Está tudo bem não saber qual é o próximo passo.
O Inverno não é um castigo. É um convite. Um convite para te ouvires, para te cuidares, para te reencontrares. Para perceberes que não és fraco por abrandar, és humano.
E olha, se te sentes meio perdido, meio cansado, meio “não sei bem o que fazer com isto tudo”…
não estás sozinho. Há mais gente a sentir o mesmo, só que ninguém diz. Toda a gente anda a tentar parecer forte, quando na verdade só quer um bocadinho de paz.
O silêncio do Inverno pode assustar, mas também pode curar. Pode ser o momento em que finalmente respiras fundo e dizes: “Ok. Vou recomeçar. Devagar, mas vou.”
Porque tal como as árvores, tu também tens raízes que não se vêem. E mesmo quando parece que nada está a acontecer, estás a preparar-te para florescer outra vez.
O Inverno não te pede pressa. Pede-te presença. E às vezes, é tudo o que precisas para voltares a ti.
E às vezes, é tudo o que precisamos.


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